O Formato MP3

Publicado em por Ron

1 - Breve História do Formato MP3

Eu pensei em contar um pouco da história do mp3 no início desta postagem mas o mp3.org já faz isso com excelência. Por esse motivo eu vou me abster e fazer uma breve introdução.

O MPEG-1 Audio Layer III também conhecido como MP3 é um formato de codificação de áudio desenvolvido nos anos 1990 na Alemanha. Ele usa compressão com perdas para que a redução do tamanho dos arquivos seja por volta de 90%, preservando uma qualidade de áudio aceitável para a maioria das pessoas.

Para quem entende de áudio, vou deixar aqui uma breve, mas muito breve apresentação:

  • O MP3 tem extensão de arquivo .mp3
  • Seu MIME Type é audio/mpeg
  • A compressão é Lossy (Psychoacoustic)
  • Seus Bit Rates são 32-320 kbps
  • Seus Sample Rates são 16, 22.05, 24, 32, 44.1, 48 kHz
  • Suporta os canais Mono, Stereo e Joint Stereo
  • Ele é padronizado no ISO/IEC 11172-3 (1993)
  • O Tamanho de Frame é de 1152 samples

Ufa! Agora que já conhecemos o MP3 e estamos familiarizados com ele superficialmente, vamos de história.

2 - Boom do MP3, Pirataria e Cultura de Compartilhamento

Com a popularização do MP3 no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000 veio também a pirataria musical. As pessoas compartilhavam músicas de todas as formas possíveis. Como um arquivo .mp3 é pequeno, o compartilhamento era relativamente rápido para a banda da época. Todo mundo era feliz, menos a indústria da música.

Imagine ter as discografias dos seus artistas preferidos salvos em seu computador ocupando pouquíssimo espaço. Imagine poder compartilhar músicas via torrent para qualquer pessoa do mundo. Essa era a realidade e a indústria da música não estava amando.

A gravadora colocava a culpa nas pessoas que compartilhavam, os artistas colocavam a culpa na indústria e nós, as pessoas normais e invisíveis? Bem! A gente sabe que os artistas pouco ganham com venda de músicas. As gravadoras sempre ficam com a maior fatia do bolo. Os artistas mais famosos costumam ganhar dinheiro com publicidade e shows, não com venda de músicas. A música em si é sua obra de arte. A sua imagem, fama e reconhecimento é que gera receita.

As gravadoras, por sua vez, ganhavam e ainda ganham muito dinheiro com venda de músicas e direitos autorais. Elas não estavam felizes com a pirataria digital.

3 - A Queda do MP3 e o Auge dos Streamings

A indústria, sempre mais esperta do que nós, meros mortais, percebeu que as pessoas não queriam roubar música, elas queriam acesso. Foi assim que a indústria da música junto com as empresas de tecnologia, por volta dos anos 2010 começou a popularizar as plataformas de streaming. O MP3 foi aos poucos caindo em desuso pela maioria das pessoas. Era muito mais fácil pagar uma assinatura e ter um catálogo online com milhares de músicas do que organizar sua própria biblioteca local. Era fácil, mas era o ideal? Teria que ser. A indústria pressionou as autoridades para tornar a pirataria digital um crime. Compartilhar música virou crime e você já não mais possuía por aquilo que pagava, a não ser se quisesse comprar o álbum físico.

Neste ponto, que se estende até o dia da publicação desta postagem, a indústria musical tem o gosto do público nas palmas de suas mãos. Os novos lançamentos diários em alta fidelidade unido ao conformismo das pessoas tornou o streaming o status-quo da publicação de músicas.

4 - A Farsa Consumista do “Hi-Fi para Todos”

O que temos a dizer sobre a alta fidelidade, ou Hi-Fi. Veja Bem! arquivos em alta fidelidade são bem úteis para músicos, produtores musicais e DJs pois o arquivo bruto mantém todas as nuances da gravação original, até mesmo as imperceptíveis. Mas será que os consumidores de música precisam mesmo ouvir músicas Hi-Fi em formatos .wav ou .flac? Será que os amantes de música ao menos conseguem perceber a diferença entre um .flac e um .mp3?

O NPR vai te testar a partir deste artigo (faça o teste e volte aqui para terminar de ler, não me engane): A maioria das pessoas não conseguem ouvir a diferença entre WAV e MP3.

Minha pontuação foi 1/5, ou seja, eu não consigo diferenciar um mp3 de qualquer outra coisa, e pra mim isso é bom, eu amo MP3, é compacto, ocupa pouco espaço e tem um nome legal.

Sabe quem também se beneficia com a cultura de Hi-Fi para usuários? A indústria de tecnologia de software e hardware. Se você precisa manter uma biblioteca de músicas em .flac você obviamente precisa de memória! Muita memória! E memória é cara!

Veja como as indústrias se comunicam e todos eles ganham: A indústria da música cria a demanda por áudio em alta fidelidade, a indústria de software cria streamings para entregar isso para os usuários que querem pagar. Os usuários que não querem pagar fazem download pirata de arquivos .flac, mas pra isso a indústria de hardware vai ter que vender memória para ele! Muita memória!

O cliclo está fechado, todo mundo ganha, menos o consumidor.

5 - Por Que Abandonar os Streamings e Ter Seus Próprios MP3?

Na realidade o consumidor pouco ganha com uma biblioteca infinita exposta para o seu consumo. Ele perde a apreciação da música, a apreciação de um álbum musical, uma obra de arte. Nos streamings de música o consumidor tem a sua disposição muito mais do que ele poderia ouvir em toda a sua vida e o excesso de informação acaba tornando a experiência musical efêmera. Ele não sente a música, ele não vai lembrar a primeira vez que ouviu o álbum, o arrepio nos pelos dos braços, porque ele não ouve mais álbum, ele ouve playlists aleatórias e atualizações diárias.

Músicas ruins mesmo em Hi-Fi continuam ruins.

6 - Music Player 3

O hábito de ouvir um álbum inteiro e apreciar uma obra de arte é o que trago com o Music Player 3, o player de música que criei para o Linux. Além de ser otimizado frequentemente para consumir menos recursos do sistema, ele tem um leitor de letras de música embutido via arquivos .srt, tem um design minimalista para que o foco fique na música, não na interface e possui internacionalização para 15 línguas além do inglês. Eu convido você, caro (a) leitor a fazer Download do Music Player 3 e ouvir aquele álbum que você tem salvo localmente e que é o álbum que você mais ama, o álbum que te faz arrepiar.